Relatos sobre experiência em voar o Tucano Replica – 01

“Tatuí, 10 de agosto de 2013. Durante o 7º encontro de ultraleve de Tatuí, tive o prazer de conhecer o Cmte. Leonardo, piloto demonstrador do “T-27 Réplica”, fabricado pela ERRES Industria Aeronáutica, onde foi convidado para fazer um voo e avaliar o produto.

Bom, convite aceito fomos o Cmte. Leonardo e eu para o voo. Antes, o Leonardo me apresentou o “T-27 Réplica”, a forma de construção, o acabamento, procedimentos, etc.

Acomodados na cabine, já tive as primeiras boas impressões, pois a cabine é ampla, com bom espaço para o piloto, posição de comandos “nas mãos”, excelente visibilidade (mesmo no assento traseiro), cintos de segurança acrobático (igual ao dos planadores).

O painel dianteiro estava com o equipamento padrão: instrumentos analógicos, rádio, transponder, GPS, instrumentação do motor e EFIS digital. Na versão ensaiada, não havia o painel traseiro, mas há opção de se colocar. Do assento traseiro, é possível ver 75% do painel dianteiro.

Cabine fechada, o Leonardo passou a “cantar” os procedimentos de partida do motor, o tradicional e confiável Rotax 912S de 100hp. Durante o taxi para a decolagem a manobrabilidade do T-27 no solo é ótima, com o controle total da bequilha, poupando os freios.

Alinhados na cabeceira da pista de Tatuí (SDTF), iniciamos a corrida com a aplicação progressiva da potência do motor, onde o efeito torque foi mínimo, mantendo-se o eixo sem qualquer dificuldade. Ao completarmos 100% de potência, depois de correr cerca de 200 metros, com 55Kt, saímos do chão, climb positivo, trem em cima (aqui cabe uma observação: não senti qualquer acréscimo de arrasto durante o recolhimento do trem ou qualquer “solavanco”), mantendo uma razão de subida de 500 ft/min, o que é excelente face a nossa configuração de decolagem próxima ao peso máximo (600 kg) e velocidade de 70Kt.

Subimos até 4100ft, quando nivelamos e fomos para a velocidade de cruzeiro, com 120Kt indicado. Aí sim a “brincadeira” começou de verdade!

Com 110Kt indicado, o Leonardo me mostrou a amplitude dos comandos, alternando de 90° a esquerda, para 90° a direita em pouco mais de 3 segundos. Um excelente rolamento!!!
Os comandos são leves, sendo necessário apenas “três” dedos para voar o T-27 Réplica (é mesma sensibilidade dos comandos de um planador de alta performance).

Iniciamos uma série de curvas de média e grande inclinação, à direita e à esquerda, sem qualquer inércia na inversão de lado. Resposta total e precisa dos comandos (acho que é o DNA militar… hehehehe).

Ainda nos 4100ft, fizemos um estol com motor, com o início de entrada em parafuso para a esquerda devido ao torque no motor, rapidamente controlado pela aplicação de pedal contrário. Total da perda de altura: cerca de 100ft.

Nivelados novamente, o Leonardo passou a próxima manobra: o parafuso. Motor reduzido, nariz em cima, com cerca de 45kt vem o estol, pedal esquerdo e estamos rodando em um parafuso mais tranquilo que já fiz na vida. Com 1 volta e mais 3/4, decomandamos o parafuso com pedal direito e manche a frente e prontamente estamos em voo reto descendente.

Nariz em cima, um pouco de motor e vamos para o tonneau barril (giro de 360° na horizontal) e saímos nivelamos e com cerca de 100kt de velocidade, agora aplicando o motor em 50% da potência.

Todas as manobras foram feitas sem qualquer esforço nos comandos e o T-27 Réplica respondeu prontamente a todos os comandos solicitados. Sem inércia ou dificuldade.

Estamos agora com cerca de 3000ft e vamos ingressar na perna do vento, reduzimos a potência e soa o alarme, indicando que não havíamos baixado o trem de pouso. No cruzamento da cabeceira, o Leonardo comanda o trem em baixo e novamente nenhum sinal do arrasto durante a extensão do trem. Giramos a perna base ainda sem motor, acionando o primeiro “dente” do flap e ingressamos na curta final, aplicando o segundo “dente” do flap.

Apenas foi preciso aplicar um pouco de potência próximo ao solo, para compensar o forte vento (cerca de 16kt) que soprou o dia todo. Corrida no solo de pouco mais de 200 metros e, sem usar muito dos freios, saímos na taxiway e seguimos para o pátio de estacionamento. Basicamente, fizemos todo o circuito de tráfego sem potência, apenas no planeio do T-27 Réplica.

Em meus 22 anos de voo, depois de ter voado mais de 20 tipos diferentes de aeronaves (entre planadores, ultraleves e aviões), o T-27 Réplica é uma excelente aeronave, com comandos dóceis e resposta precisa aos movimentos do piloto. A ampla visibilidade é outro ponto forte do mesmo: visibilidade total em todas as direções (nem mesmo a posição da asa atrapalha).

O conceito do T-27 Réplica é totalmente diferente das demais aeronaves ultraleves: segue o DNA do EMB-312 Tucano, eis que o tamanho daquele é na proporção de 70% do feito pela Embraer. O custo operacional do T-27 Réplica é baixo (cerca de 20 litros/hora).

A possibilidade de se realizar manobras semi-acrobáticas (desde que o piloto tenho o devido treinamento para isso) é outro ponto forte deste projeto.

O T-27 Réplica da ERRES Indústria Aeronáutica tem tudo para ser um produto de sucesso no mercado brasileiro, quer seja pela qualidade da aeronave, quer seja pelo preço (igual ao preço de muitos ultraleves avançados de inferior performance), quer seja pelo seu baixo custo operacional.”

Cesar Augustus Mazzoni
Piloto de Planador e Instrutor de Voo
Presidente do Aeroclube de Tatuí